segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ressaca moral

Querido blog,

Já estou em Coimbra há três semanas, tempo o suficiente pra saudades baterem. Saudades da família, dos amigos, dos lugares que eu frequentava, da comida brasileira. Todas as coisas especias pra mim no Brasil estão fazendo falta nesse momento. Acho, porém, que a saudade de tudo isso é superável. É um aperto leve no peito que eu consigo vencer, é uma dor suave, que me reforça o valor de tudo isso pra mim. Afinal, depois de um ano aqui, estarei de volta pra tudo isso.

E Coimbra é uma cidade acolhedora, deliciosa. Tem cerca de 140 mil habitantes, pelo que sei, e acho que isso não chega a incluir os 30 mil estudantes da universidade, que voltam pras suas aldeias nos fins-de-semana. Ou seja, do tamanho da minha cidade natal, Barra Mansa, o que é ótimo, pelo menos pra mim, que descobri recentemente que não nasci para viver em cidades muito grandes, como o Rio de Janeiro. E o melhor, diferentemente de Barra Mansa, Coimbra tem tudo que eu sinto falta em Barra Mansa: shoppings, mercados, bares. Além de ser bem pequena, já que assim posso fazer quase tudo a pé, do jeito que estou acostumado.

Mas estive pensando: a cidade é maravilhosa, a saudade é suportável. O que é esse vazio que sinto no peito então?

Acredito eu que o maior problema é a falta de pessoas próximas! Não a saudade deste ou aquele amigo, mas a saudade de amar as pessoas a minha volta que me aflige tanto. É claro que esse sentimento vai passar, cheguei a pouco tempo, ainda não foi o suficiente pra fazer grandes amizades. Claro que estou adorando as pessoas que eu conheci. Apesar dessa certeza, me preocupa um pouco não ter me aproximado o suficiente de alguém ainda.

Aqui no apartamento moram o Dyego, a Alyne e o João Paulo (JP). Fiz uma amizade fácil com o JP. Ele é um anjo de pessoa. Muito devoto, reza sempre antes das refeições e de dormir. Muito educado, sempre agradece a todo mundo. Muito generoso, sempre pronto a ajudar quando ve alguem a precisar. Como toda boa amizade, também já me irretei com ele, claro! Mas não por culpa dele, e sim por culpa da minha impaciência. Posso parecer meio cruel, mas no fim, acho minha irritação com ele engraçada. Enfim, a questão é que o JP demora bastante pra se arrumar pra sair, e ele tem muita paciência, então faz tudo bem devagar. Além disso, ele gosta de se arrumar bem, então toma banho, passa perfume, penteia o cabelo e tudo o mais mesmo pra ir na padaria. Já eu, visto qualquer coisa e estou pronto, e acabo quase sempre saindo sem pentear o cabelo. E por vezes eu fico esperando ele terminar de se arrumar, enquanto o tempo vai passando e as coisas vão se atrasando.
Mas nunca foi, nem será motivo pra brigas. Como disse, ele é um anjo e eu adoro ele.
A Alyne é outra pessoa incrível! Ao mesmo tempo que ela é uma mulher adulta, responsável, é uma garotinha louca por doces que se alegra o tempo todo. Admiro muito isso nela! Além disso, é animada, bem disposta, inteligente e cheia de história pra contar. Acho que vamos ficar bem amigos.
Não tenho entretanto, muito o que dizer sobre o Dyego. Ele é bastante espirituoso, adoro isso nele. É incrível, faz piada com tudo. Mas não chegamos a trocar idéia direito ainda. Acho ele sempre meio fechado, se escondendo atrás das piadas e do tipo relaxado que ele faz. Acho que no fundo ele não é assim, mas acho que ele quer passar essa imagem.


Bom, esses são alguns dos meus novos amigos!
Essa noite foi agitada pra mim, e não dormi direito.
Primeiro, recebi um recado preconceituoso besta da minha mãe no facebook, fato que já me deixou chateado o suficiente. Ela acha que minha opção sexual é meu lado vulnerável e que tem medo que as pessoas me atinjam lá, mas o que ela não percebe é que a única coisa que tem me ferido quanto a isso são esses tipos de cometários que ela faz. O resto do mundo parece ter mais coisas pra se preocupadar.
A segunda coisa que me abalou diz respeito a sexo. Fui dormir na casa do Luiz. Ele é um baiano que conheci e eu dormi lá uma noite, e transamos, claro. Até aí, nada demais: os dois maiores de idade, usamos camisinha, descompromissados. O programa de ontem era um filme e depois o vuco-vuco. Engraçado como as vezes nos damos conta das coisas só depois que fazemos. Foi só depois que me caiu a ficha de que aquele cara não era eu. Não sou tão sexualmente maduro pra agir assim, fazendo sexo sem compromisso. E é uma babaquice fingir que sou, como eu estava fazendo. Eu sei que vou fazer isso mais algumas vezes. Sou homem, e todo homem pensa com a cabeça de baixo. Daqui a um tempo fico na vontade de novo e vou querer transar com o primeiro cara que eu ver na frente, como se fosse rotina pra mim. Mas o que eu quero mesmo é alguém especial. Não precisa ser um grande amor, mas que seja no mínimo com alguém que eu esteja apaixonado.

Sexo e família. Temas sempre complicados. Voltei ontem a noite pra casa bem devagar, pensando um pouco na vida. Acordei hoje com uma ressaca moral das bem fortes.

Vou comer alguma coisa agora e tirar um cochilo. Quatro e meia tenho que estar no meu laboratório pra tirar meu balão do refluxo.

Um beijo